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Primeiro protótipo espacial
brasileiro é de poliuretano e feito pela Chempoxy
Uma placa especial de poliuretano é a base para a
primeira peça feita pelo Brasil, a partir de parceria da Agência
Espacial Brasileira (AEB) com a NASA, para aplicação na Estação Espacial
Internacional e para a primeira participação brasileira em projetos
espaciais. Essa placa foi mostrada à imprensa no final de abril com a
visita do primeiro astronauta brasileiro, tenente-coronel Marcos Pontes,
às instalações da Escola SENAI Suíço-Brasileira (São Paulo, SP),
responsável pela fabricação do protótipo em poliuretano. Na ocasião,
Pontes explicou ao presidente da FIESP -Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo, Paulo Skaf, as principais características do
protótipo e os desafios envolvidos em seu desenvolvimento. A FIESP
financiou a construção dos protótipos.
A peça (foto)
é um suporte auxiliar de vôo, braço a ser construído em alumínio e recheado
de equipamentos Eletro-eletrônicos para conectar o corpo da estação espacial
internacional a outros equipamentos. Composto de 138 partes, o suporte
auxiliar irá pesar, em uso, apenas 17kg, usinados em sistemas de precisão a
partir de uma placa de alumínio de 450kg. Para construir a peça de uso real,
normalmente é necessário construir protótipos em outros materiais, a partir
dos quais é retirada toda a documentação necessária para construção
detalhada da peça real. O material usado para o protótipo brasileiro foi o
poliuretano em placa.
A placa em
PU para o protótipo da Escola SENAI foi fornecida pela empresa Chempoxy
(Taboão da Serra, SP), a partir de um de seus produtos de prateleira, a
CH Shape 1200. “A encomenda para o protótipo precisou obedecer a
larguras e espessuras um pouco superiores às normais e ser de cor cinza, o
que não é muito comum”, diz Alexandre Chechetto, diretor comercial da
empresa. “Já a formulação foi a tradicional”. As placas CH Shape são
orientadas para a criação de protótipos e uso em máquinas de controle de
comando numérico (CNC). As principais propriedades físicas mensuráveis da
placa usada no protótipo da Escola SENAI Suíço-Brasileira estão indicadas no
quadro. A placa proporciona fácil colagem, elevada estabilidade dimensional,
superfície pós-polimento de alto brilho, resistência nos contornos, baixa
absorção de água, reduzida dispersão de pós e excelente acabamento de
superfície. O protótipo para a NASA foi projetado para apenas uma peça
inteiriça.
Segundo
Rogério Dias, coordenador do projeto na Escola SENAI, o principal objetivo
ao desenvolver a peça-protótipo, que está em fase de produção, tem sido
gerar toda a documentação necessária à construção da peça real, que
provavelmente deverá ficar em mãos de empresas brasileiras qualificadas para
fabricação em alumínio. “O protótipo permite efetivar na prática as
solicitações de projeto feitas pela NASA, mas o produto a ser gerado por nós
é mesmo a documentação”, diz Dias. Em alumínio (material da peça real), o
suporte auxiliar de vôo pesará quatro vezes menos que o protótipo a partir
de placa de poliuretano. Um dos principais requisitos cumpridos pela placa
em PU foi, segundo Dias, o controle dimensional. “As mais precisas
espessuras da placa têm apenas 7 décimos de mm”, explica. Estima-se em seis
meses o prazo para conclusão da primeira peça.
De acordo
com Sérgio Maurício Gaudenzi, presidente da Agência Espacial Brasileira
(AEB) e presente à visita de Pontes à Escola SENAI, o país tem preferência
na construção de 22 a 32 peças reais a partir dos protótipos feitos pelo
SENAI, as quais na totalidade devem custar de 6 a 10 milhões de dólares. O
acordo entre AEB e SENAI dispõe o acompanhamento do projeto pela AEB e a
cessão à agência, por parte do SENAI, da tecnologia de fabricação, o
controle e montagem das placas. A AEB e o SENAI comprometem-se a não
divulgar informações confidenciais relativas ao projeto. A Estação Espacial
Internacional, na qual serão instaladas as peças reais, é um empreendimento
dos Estados Unidos, Rússia, Europa, Japão e 12 outros países, sendo o Brasil
o único representante da América Latina envolvido no projeto. A Estação
consistirá em um grande laboratório de pesquisas e desenvolvimento em ambiente
de baixo nível de aceleração (microgravidade) e observação da Terra.
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